contexto

 

Texto por Raquel Borges e Daniel Lima

 

Um acordo diplomático entre EUA, França e Brasil mantém há 12 anos o Brasil à frente da ocupação militar no Haiti. Criada em 2004 pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas – ONU, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti – MINUSTAH tem o propósito de “restaurar a ordem” no Haiti após um período de intervenção dos EUA e deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide. Com interesses em assumir um papel de destaque internacional, o Brasil assume a liderança da operação. Este foi o ponto de partida para aproximandamente 70 mil hatianos imigrarem para o país.

O Brasil e a MINUSTAH
Em 2004, quando recebeu o convite da ONU para liderar a MINUSTAH, o Brasil se viu diante de uma oportunidade real de se projetar internacionalmente e assumir liderança no cenário regional. Além dos objetivos humanitários e de treinamento de tropas, a missão poderia ajudar na obtenção de um assento no Conselho de Segurança da ONU, há muito tempo vislumbrado pelos governantes brasileiros.

O terremoto e a imigração
Em 2010, quando um terremoto devastou a capital Porto Príncipe e deixou mais de 300 mil mortos (números estimados), o Brasil reafirmou seu compromisso de ajudar na reconstrução do país reforçando o efetivo militar.
A estabilidade econômica fez com que os haitianos passassem a enxergar o Brasil como uma alternativa em melhorar suas condições de vida. Em condições ilegais, auxiliados por coiotes, milhares de haitianos iniciaram o caminho da imigração atravessando 4 países, República Dominicana, Panamá, Equador e Peru, até finalmente entrarem no país pelo Estado do Acre. Estima-se que 20 mil haitianos tenham entrado no Brasil por essa rota.

O visto humanitário
Em 2012, o Brasil concedeu visto humanitário aos haitianos em consequência ao desastre ambiental que devastou o país. O visto humanitário é uma categoria de especial de proteção que permite aos haitianos se estabelecer no Brasil, buscar emprego e ter os mesmos direitos de qualquer estrangeiro em situação regular. Com o objetivo de evitar que continuassem buscando rotas de imigração operadas por organizações criminosas, o Brasil passou a expedir visto diretamente embaixada brasileira no Haiti e em Quito – Equador.

A decepção e o caminho para os EUA ou Chile
A crise econômica e o desemprego são as principais razões para os imigrantes haitianos deixarem o Brasil. Com a desvalorização do Real, ficou mais difícil enviar recursos aos parentes no Haiti. A solução encontrada foi fazer o caminho de volta pelo Acre, mas, desta vez, para tentar entrar nos EUA ou migrar para o Chile.

 


 

Daniel Lima é artista, produtor cultural e editor. Coordenador do projeto Novas Diásporas. Participa dos coletivos Frente 3 de Fevereiro e CoLaboratório. Dirige a produtora cultural e editora Invisíveis Produções.

Raquel Borges é produtora cultural e professora. Diretora de Produção do projeto Novas Diásporas. É sócia da Três por Quatro Produções.